As patologias do quadril representam uma causa frequente de dor e limitação funcional. Com abordagem especializada e individualizada, é possivel diagnósticar precocemente e oferecer tratamentos eficazes, visando restaurar o movimento, a mobilidade e a qualidade de vida do paciente.
Artrose
Artrose é uma doença da cartilagem. Ao contrário do que muitos pensam, a qualidade óssea não está comprometida. Quando se diz que o quadril está gasto, é a cartilagem quem está afetada.
Esse tecido sempre está presente quando temos uma articulação, o encontro de dois ossos, e permite um deslizamento sem atrito entre os ossos, veda o osso impedindo a penetração do líquido articular e é indolor. Quando há um desgaste desse tecido, expondo o osso abaixo dele, a articulação torna-se rígida e dolorosa. É isso que denominamos artrose.
São variadas as causas da artrose: deformidades ósseas causando pressão irregular sobre o tecido cartilaginoso, doenças em que o próprio sistema imune ataca as células, infecções onde as bactérias se alimentam do tecido ou até mesmo doenças do tecido ósseo circundante, causando a perda da arquitetura original e soltando da cartilagem, como nas osteonecroses.
Como em praticamente todas as doenças (ortopédicas ou não) o diagnóstico precoce permite um tratamento mais efetivo da patologia. As dores incapacitantes que levam a procedimentos mais invasivos, como infiltrações ou até mesmo às bem sucedidas próteses de quadril raramente estão presentes no início do processo.
Se uma pessoa notar dor persistente em região de virilha, coxa, nádegas, lombar ou na região do tronco e pelve, sobretudo se piorar com esforço, pode estar desenvolvendo uma artrose incipiente de quadril. Outra dica é a perda de mobilidade cursando com dificuldade para subir degraus ou amarrar sapatos.
Medidas conservadoras, como atividade física de baixo impacto associada a fortalecimento muscular e mudança de hábitos são os pilares do tratamento precoce da artrose.
Dietas menos inflamatórias com equilíbrio energético e supressão de tabagismo e abuso de álcool também apresentam influência positiva. Medicações são utilizadas em larga escala mundo afora, tanto por via oral como injetável, mas ainda precisam ser melhor compreendidas e indicadas para uma evidência científica mais robusta sobre os protocolos de tratamento.
A artrose é uma doença degenerativa. Quando sem comprometimento funcional começa a afetar significativamente a vida de uma pessoa e isto é extremamente individual, vale ressaltar, é hora de discutir acerca da prótese total de quadril.
Esse procedimento já descrito como “A cirurgia do século” segundo o periódico Lancet, um dos mais importantes do mundo, tem a capacidade de devolver uma vida normal ao paciente se for bem indicado e performado.
O desenvolvimento tecnológico alcançado nas últimas décadas permite uma maior durabilidade dos implantes e cirurgias menos invasivas, sendo possível a indicação de cirurgia tanto para pacientes mais jovens quanto para os mais idosos. Porém, isso já é assunto para outro tópico.
Em caso de dor persistente ou daqueles incômodos leves com os quais a gente tende a não querer lidar, procure seu médico.
Bursite Trocantérica
A bursite trocantérica é uma inflamação na bursa trocantérica, causando dor na lateral do quadril. Seu tratamento é na maioria dos casos feito com Fisioterapia.
O que são bursites?
Bursites são inflamações que acometem as bursas, pequenas bolsas encontradas sobre as proeminências ósseas no corpo humano, que servem para proteger tais proeminências de traumas e contusões.
Diversas são as causas de inflamações nas bursas, e as principais são:
- Traumas agudos na bursa, tais como quedas e pancadas no local
- Esforço repetitivo envolvendo a articulação na qual a bursa se encontra
- Alterações degenerativas no local
- Infecções causadas por bactérias, entre elas a da tuberculose
- Microtraumas de repetição no local; exemplos dessa causa seriam uma pessoa que costuma se deitar de lado em superfícies rígidas, causando bursite trocantérica ou uma pessoa que se ajoelha muito, causando bursite pré-patelar (no joelho)
- Encurtamento dos tecidos ao redor da bursa, causando atrito constante sobre ela
A principal bursa acometida no quadril é a bursa trocantérica, encontrada na região lateral do quadril, que quando inflamada, causa a bursite trocantérica.
Essa patologia é muito comum em mulheres na faixa etária de 40 a 60 anos, e uma das bursites mais comuns do corpo humano. É uma das principais queixas no consultório do ortopedista Especialista em Quadril.
Quais são os sintomas da bursite trocantérica?
De maneira geral, as bursites causam dor no local acometido, exacerbada pela movimentação, esforço ou trauma local.
No caso da bursite trocantérica, o paciente costuma queixar-se de dor na região lateral do quadril, que piora ao andar, subir ou descer escadas, cruzar as pernas e principalmente, deitar-se sobre o quadril acometido.
Tais sintomas muitas vezes limitam as atividades diárias que o paciente consegue exercer, além de impedir que ele realize atividades físicas, principalmente as mais intensas.
Sintomas como vermelhidão, inchaço e aumento de temperatura no local da dor são incomuns na bursite inflamatória, e devem alertar para a possibilidade de bursite infecciosa, ou seja, causada por bactérias.
Como é o tratamento da bursite trocantérica?
O tratamento da bursite trocantérica se inicia com compressas locais, medicações analgésicas e anti-inflamatórias, alongamento e fortalecimento.
A Fisioterapia é extremamente eficaz no tratamento da bursite trocantérica, e é realizada com ênfase na desinflamação local, fortalecimento da musculatura adjacente, alongamento e liberação mio-fascial.
Além disso, mudanças em alguns hábitos de vida, tais como permanecer longos períodos sentado com as pernas cruzadas e deitar de lado sobre o quadril acometido, também tem um papel importante no tratamento dessa patologia.
Nos casos em que o tratamento inicial não é eficaz, podem ser realizadas infiltrações na bursa trocantérica, no próprio consultório médico, com pouco ou nenhum desconforto para o paciente.

Essas infiltrações podem ser de dois tipos:
- Infiltrações simples: são realizadas com a aplicação de analgésicos locais e corticóides (medicações com ação anti-inflamatória) na bursa inflamada. Costumam promover um alívio sintomático mais curto, em torno de 6 a 8 semanas, mas permitem que nesse período o paciente se dedique mais ao seu tratamento, fazendo com que a analgesia possa ser mais duradoura.
- Infiltrações com PRP: o PRP é o plasma rico em plaquetas. Retira-se sangue do paciente, da mesma maneira que são realizados exames de sangue em laboratório. Esse sangue é colocado em uma centrífuga, que separa os glóbulos vermelhos do plasma. Esse plasma remanescente tem uma elevada concentração de plaquetas, que liberam diversos fatores de crescimento, com capacidades imuno-modulatórias e reparadora no local onde é aplicado, estimulando a regeneração tecidual e promovendo um alívio da dor mais duradouro que a infiltração simples. Geralmente é realizada em 3 sessões, com intervalo de 3 semanas entre cada uma delas.
Dor Glútea Profunda
A dor glútea profunda ou síndrome piriforme é pouco conhecida, pois ela é uma condição rara, em que o paciente apresenta o nervo ciático passando por dentro das fibras do músculo piriforme que se localiza na nádega, região do quadril. Com isso, o nervo ciático acaba ficando inflamado, devido ao fato de ser constantemente pressionado.
A pessoa diagnosticada com dor glútea profunda pode se queixar de dor intensa na perna direita, porque este geralmente é o lado mais afetado, além de dor na nádega, dormência e sensação de queimação.
Para confirmar o diagnóstico de síndrome piriforme, o ortopedista especialista em quadril realiza alguns testes, assim é possível também descartar outras condições e verificar a gravidade, a fim de indicar o tratamento mais adequado.

Tendinites do Quadril
A tendinite no quadril é considerado um problema muito comum em atletas que utilizam em excesso os tendões localizados nessa região, fazendo com que fiquem inflamados e causem sintomas como dor ao caminhar, que irradia para a perna, ou ainda dificuldade para mexer uma ou as duas pernas.
Na maioria dos casos, a tendinite no quadril afeta atletas que praticam atividades físicas que envolvam o uso excessivo das pernas, como corrida, ciclismo ou futebol, mas também pode surgir em idosos devido ao desgaste progressivo da articulação do quadril.
De modo geral, essa doença tem cura, no entanto, as chances são maiores em pessoas jovens que fazem fisioterapia.

Quais as causas da tendinite no quadril?
A tendinite no quadril está associada tanto às atividades esportivas, quanto pelas condições apresentadas na rotina profissional. No entanto, o quadro é o mesmo, no qual ocorre a inflamação dos tendões dos músculos dos glúteos com dor que irradia para a coxa.
Sendo assim, suas causas estão relacionadas aos esforços excessivos e repetitivos, posições viciosas indo além da capacidade que o tendão pode suportar e a falta de alongamento na região.
Porém, a tendinite no quadril ainda pode surgir por lesões diretas , como um golpe no tendão, além de distúrbios inflamatórios, como artrite reumatoide, osteoartrite e infecções à distância.
É válido ressaltar que a tendinite é mais comumente observada em pessoas com mais de 40 anos, já que o risco e a gravidade dos sintomas normalmente aumentam com a idade.
Sabemos que a tendinite pode acontecer em quase qualquer parte do corpo, mas no quadril, são mais comuns as tendinite do Músculo Psoas, Reto Anterior, Glúteos Médio e Mínimo, Banda Ílio-Tibial e Inserções musculares no Ísquio.
Principais sintomas da tendinite no quadril
De acordo com o ortopedista especialista em quadril, os sintomas de tendinite no quadril podem incluir:
- Dor no quadril, que piora ao longo do tempo;
- Dor no quadril, que irradia para a perna;
- Dificuldade para movimentar as pernas;
- Cãibras nas pernas, especialmente após longos períodos de repouso;
- Dificuldade para caminhar, sentar ou ficar deitado sobre o lado afetado.
É fundamental que o paciente com sintomas de tendinite no quadril consulte um ortopedista especializado para fazer um exame físico, diagnosticar o problema e iniciar o tratamento adequado o mais rápido possível.
Impacto Femoroacetabular
O impacto femoro-acetabular é uma condição decorrente do contato anormal entre o fêmur e o acetábulo da pelve, que pode levar a dor e limitação de movimento no quadril.
A detecção e o tratamento precoce para a condição são importantes para evitar a progressão para a osteoartrite degenerativa do quadril.
O que é o impacto femoro-acetabular?
O impacto femoro-acetabular é uma condição decorrente de um contato anormal entre a transição do colo e da cabeça do fêmur com a borda do acetábulo (região da bacia onde se encaixa a cabeça do fêmur).
Esse contato anormal é decorrente da presença de uma proeminência óssea patológica (anormal) na transição da cabeça com o colo do fêmur ou na borda do acetábulo, ou mesmo em ambas as estruturas.
Quais os sintomas do impacto femoro-acetabular?
O principal sintoma do impacto femoro-acetabular é dor na região da virilha, principalmente ao se fazer uma flexão exagerada do quadril. Esse sinal geralmente se manifesta quando o paciente realiza movimentos como:
- Entrar e sair do carro;
- Amarrar um calçado;
- Realizar atividades físicas como futebol, corrida, lutas com chutes ou Ballet.
Um outro sintoma relatado pelos pacientes é a diminuição da mobilidade do quadril afetado, principalmente para flexionar e/ou rodar o quadril para dentro (rotação interna).
Quem são os pacientes mais afetados pelo impacto femoroacetabular?
O impacto femoro-acetabular acomete principalmente pacientes jovens e ativos, entre 20 e 40 anos, praticantes de atividades esportivas, levando à limitação para que realizem suas atividades, fazendo com que alguns pacientes tenham inclusive que abandoná-las. No entanto, a condição pode afetar pessoas de todas as idades.
Pubalgia
A pubalgia é uma condição clínica que acomete praticantes de atividades físicas que necessitam de arrancadas, mudanças bruscas de direção, chutes ou corridas frequentes.
Ela é bastante comum em atletas de futebol e futebol americano, ou seja, em esportistas de alto rendimento. Suas causas podem estar associadas a alterações mecânicas músculo esqueléticas ou sistêmicas.
De forma geral, as queixas se iniciam leves. Contudo, com o passar do tempo, evoluem a situações que restringem esforços físicos e as obrigações corriqueiras do dia dia, interferindo nas atividades no trabalho, esportivas ou até mesmo em outras situações. Normalmente, quando a dor é súbita (durante alguma prática esportiva), associa-se imediatamente a uma lesão muscular.
Mas afinal, o que é pubalgia? Como ela se manifesta?
Pubalgia: o que é
Trata-se de uma síndrome caracterizada por dor na sínfise púbica, irradiando para regiões como a virilha e parte inferior do abdômen, podendo ainda estar associada a graus variáveis de impotência funcional e de fraqueza muscular nesta região. Como dito anteriormente, trata-se de uma condição clínica comum em atletas de alto rendimento. Contudo, ultimamente, tem acometido também pessoas que têm o esporte com hobby ou lazer, aumentado muito o número de casos.
Sintomas associados
A condição tem como principais sintomas: dores fortes na região inferior do abdômen ou na virilha, especificamente no local onde os dois ossos dos quadris fazem junção. Ou seja, na parte da frente do corpo.
Além destes, existem outros como:
- Diminuição dos movimentos do quadril;
- Dor na região lombar;
- Sensação de queimação na região da virilha.
Lesão Labral
Lesão do lábio acetabular pode ser uma fissura ou destacamento entre o lábio e a borda do acetábulo, ou uma degeneração da substância labral. O paciente acometido pela condição pode apresentar sintomas dolorosos e até mesmo ter a mobilidade do quadril reduzida.
O que é a lesão do lábio acetabular?
O lábio acetabular é uma estrutura fibrocartilaginosa que recobre a borda do acetábulo (região da bacia onde se encaixa a cabeça do fêmur) e que tem diversas funções essenciais para manter o quadril saudável. Assim sendo as principais funções do lábio acetabular:
- Estabilização da articulação;
- Aprofundamento do acetábulo;
- Efeito de selar a articulação;
- Pressurização e distribuição do líquido sinovial.
A lesão do lábio acetabular pode ser uma fissura ou destacamento entre o lábio e a borda do acetábulo ou uma degeneração da substância labral.
Quais são os sintomas da lesão labral?
O principal sintoma da lesão no lábio acetabular é dor, geralmente sentida na região da virilha. Ademais, as dores podem ser piores aos esforços físicos e movimentos do quadril. Além disso, o paciente com lesão labral pode apresentar também:
- Dores na região lateral do quadril, na coxa, no púbis e até na região lombar;
- Estalos no quadril;
- Diminuição da mobilidade do quadril;
- Dificuldade para praticar atividades esportivas.
É necessário buscar um ortopedista especialista no tratamento de condições do quadril caso apresente um ou mais destes sinais. Um diagnóstico adequado é de extrema importância, a fim de garantir ao paciente uma recuperação mais rápida para a lesão labral.





MENSAGEM DO DR. MARCO ANTONIO DE MOMI
Você sente dor no quadril?
A dor no quadril não deve ser considerada algo normal, principalmente quando começa a limitar seus movimentos, dificultar atividades do dia a dia ou afetar sua qualidade de vida.
Muitas condições, como artrose, bursites, tendinites ou outras alterações da articulação, podem ser tratadas de forma eficaz quando diagnosticadas precocemente.
Com uma avaliação adequada, é possível identificar a causa da dor e indicar o tratamento mais apropriado — que pode variar desde medidas conservadoras até procedimentos mais específicos, sempre de forma individualizada.
👉 Se você tem dor no quadril, não espere piorar. Procure avaliação especializada.
Dr. Marco Antonio de Momi
Ortopedista | Cirurgia do Quadril



